Auditando - Odibar J. Lampeao

Outubro 01 2012

 

Num sentido amplo, uma fraude é um esquema ilícito ou de má fé criado para obter ganhos pessoais, apesar de ter, juridicamente, outros significados legais mais específicos. (Wikipedia).

Em Direito Penal, fraude é o crime ou ofensa de deliberadamente enganar outros com o propósito de prejudicá-los, usualmente para obter propriedade ou serviços dele ou dela injustamente. Fraude pode ser efetuada através de auxílio de objetos falsificados (Ibid).

O termo fraude aplica-se a atos voluntários de omissão e manipulação de transações e operações, adulteração de documentos, registros, relatórios e demonstrações contábeis, tanto em termos físicos quanto monetários, que é diferente do erro que é o termo erro aplica-se a atos involuntários de omissão, desatenção, desconhecimento ou má interpretação de fatos na elaboração de registros e demonstrações contábeis, bem como de transações e operações da Entidade, tanto em termos físicos quanto monetários (http://www.congressousp.fipecafi.org/artigos12004/380.pdf).

 

As fraudes internas podem normalmente ser divididas em duas grandes famílias:
(http://www.fraudes.org/)

a) Fraudes com registro nos livros contábeis.

Desta categoria fazem parte as fraudes que afetam diretamente o fluxo contábil ou de caixa da empresa. Exemplos são fraudes nos seguintes moldes:

  • faturamentos irregulares (serviços não prestados, mercadorias não entregues,      superfaturamento etc...);

  • lançamento de pagamentos indevidos ou fictícios;

  • reembolsos irregulares ou falsos (por viagens, despesas, ...);

  • alterações, desvios e/ou roubos nos estoques de mercadorias ou nos bens da empresa;

  • troca de dinheiro da empresa por recebíveis (muitas vezes pouco líquidos);

  • lançamento de gastos "de consumo" irregulares;

  • omissões ou falsificações nos registros de operações contábeis ou de recebimentos;

  • falsificação de faturas ou documentos contábeis;

  • operações financeiras irregulares.

Na maioria dos casos, este tipo de fraude pode ser detectado no momento dos pagamentos, ou seja da saída do dinheiro da empresa para a estrutura dos fraudadores.

Auditorias contábeis e internas bem executadas e profundas também costumam detectar este tipo de fraudes ou pelo menos seus indícios.

b) Fraudes sem registro nos livros contábeis.

Desta categoria fazem parte todas as fraudes que não afetam diretamente o fluxo normal da contabilidade. Exemplos são fraudes nos seguintes moldes:

  • descontos      excessivos ou indevidos à clientes;

  • frequentes      vendas em dinheiro (com descontos não transparentes e/ou sem emissão de      nota fiscal e/ou sem o devido registro contábil) com desvio do valor;

  • descontos      de fornecedores não repassados à empresa;

  • corrupção geral;

  • ganho      de comissões em troca de vantagens junto à empresa;

  • desvio      de clientes ou negócios da empresa para outra entidade (própria ou de terceiros);     

  • negociações      de créditos ou dívidas;

  • concessões      e benefícios em favor de "amigos" ou outros tipos de conflito de      interesses.

 

Este tipo de fraude envolve normalmente valores mais elevados que os das fraudes do tipo anterior.
Também é comum que este tipo de fraudes se repita regularmente e sem ser detectado ao longo de muito tempo.

Uma importante fonte para detectar este tipo de fraudes são pesquisas juntos à clientes e fornecedores e/ou informações recebidas por estes.

 

 

Entre os meios mais eficazes para prevenir e combater as fraudes internas recordarei os seguintes (http://www.fraudes.org/):

  • Analise dos fluxos operacionais e identificação prévia dos pontos de risco para sucessivo intenso monitoramento e adoção de outras medidas preventivas.

  • Realização de frequentes e rigorosas auditorias "específicas para fraudes", nas áreas de negócios sensíveis.

  • Troca periódica (a cada dois ou três anos no máximo), ou rotação, dos auditores.     

  • Criaçãode um apropriado manual de normas e procedimentos internos, a ser aplicado pelos funcionários em todas as funções sensíveis.

  • Estruturação de um sistema de administração e monitoramento eficientes com troca e verificação constante e redundante de informações entre os vários departamentos.

  • Rotação frequente, quando possível, de funcionários em posições sensíveis a fraudes.

  • Criação de equipas para condução de funções chave e sensíveis a fraudes, eliminando estruturas de decisão e centros de controlo independentes.

  • Estruturação de uma adequada política de alçadas, autorizações e controles em todas as funções sensíveis (por exemplo no uso de senhas para operações bancárias      via internet).

  • Monitoramento de mudanças repentinas e/ou injustificadas no estilo de vida ou comportamento de funcionários responsáveis por posições sensíveis.

  • Atenção a eventuais indícios de vícios (jogo, drogas, álcool etc...) dos  funcionários.

  • Comparação periódica de dados e informações administrativas e operacionais com as médias de períodos anteriores (anos, semestres etc...), com as médias de diferentes departamentos e unidades e com as médias de mercado para as      áreas equivalentes e homogêneas.

  • Adoção de regras de segurança no projeto e desenvolvimento dos sistemas informativos internos.

  • Atenção à reclamações de fornecedores ou clientes que possam ter origem em      comportamentos fraudulentos de funcionários.

 

Na hora de uma primeira auditoria de fraudes ou fiscalização contábil, é importante procurar e prestar atenção, pelo menos, aos seguintes pontos:

  • Omissão  de lançamentos em registros.

  • Lançamentos falsos em registros.

  • Anotações falsas em registros.

  • Erros nos cálculos em registros.

  • Destruição ou "perda" de documentos.

  • Falta de documentos.

  • Existência de documentos falsos.

  • Alteração de documentos originais.

  • Duplicidade de documentos ou lançamentos.

  • Falta de depósitos bancários ou caixa.

  • Aumentos repentinos de custos ou despesas médias.

  • Diminuição repentina de receitas médias.

  • Pagamentos irregulares ou fictícios.

  • Manutenção de dois jogos de livros de registro.

  • Rasuras e espaços brancos nos registros.

 

Além disso, vale lembrar resumidamente algumas das mais úteis ferramentas para a detecção e combate as fraudes internas:

  • Análise comparativa.

  • Conciliação de saldos.

  • Conciliação entre contas.

  • Comprovações e inspeções documentárias.

  • Inspeções físicas (em estoques, por exemplo).

  • Confirmação com terceiros.

  • Indagações e perguntas (funcionários, clientes, fornecedores...).

  • Observação da conformidade das rotinas com o fluxograma.

  • Apreciação de cifras.

publicado por ojpeao às 19:08

Espaço promovido com o intuito de fornecer alguma informaçao aos interessados em Auditoria e Iniciantes no conhecimento da mesma. Especialmente para os estudantes que me têm como coordenador nesta área de conhecimento. Dúvidas, ojpeao@hotmail.com
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