Auditando - Odibar J. Lampeao

Abril 03 2009

A auditoria é uma tecnologia que se apóia em métodos específicos para cumprir seus objetivos. Seu escopo abrange um universo ilimitado de possibilidades, o que faz do aprimoramento desses métodos condição precípua para a eficácia do trabalho.

 

É ponto básico, em auditoria, que a evidência seja suficiente e competente para servir de base aos relatórios auditoriais. Hodiernamente, como as entidades empresariais evoluíram em tamanho e complexidade, os auditores precisam confiar nos procedimentos de amostragem como um dos meios práticos de obter estas evidências. Esta confiança em procedimentos de amostragem é uma das razões básicas para estabelecer certificações cada vez mais justas dos demonstrativos contábeis e financeiros.

 

Amostragem em auditoria (quer seja ela estatística ou não-estatística) é o processo de selecionar um grupo de itens, denominado amostra, a partir de um grupo grande de itens, denominado população ou campo, utilizando características dessa amostra que possam produzir conclusões suficientes sobre as características da população inteira de itens. A suposição subjacente é que a amostra permitirá aos auditores obter conclusões precisas sobre a população.

 

Outro conceito importante é o risco de amostragem, definido como o risco de que a conclusão do auditor baseada em uma amostra possa ser diferente da conclusão que se alcançaria no exame de todos os itens na população (WHITTINGTON & PANY, 1998).

 

Portanto, fácil concluirmos que aumentando o tamanho da amostra, reduzimos o risco de amostragem. Isto é axiomático, incontestável. No final, quando uma população inteira é examinada não existe nenhum risco de amostragem. Pela aplicação de técnicas matemáticas (como o cálculo de limites, por exemplo) é possível estabelecer um modelo de mensuração do risco de amostragem.  

 

Custoso, contudo, é auditar uma amostra grande ou a população inteira. O fator essencial numa amostragem eficiente é equilibrar o risco de amostragem com o custo de usar amostras maiores.

 

Nesse sentido, é importante que se leve em consideração os erros não amostrais, ou seja, aqueles que não são devidos a fatores diretamente causados pela amostragem. Por exemplo, os auditores podem falhar em aplicar apropriadamente os procedimentos de auditoria, ou eles podem falhar em reconhecer erros nos documentos ou transações que são examinadas. Estamos a tratar de outra classe de risco: o risco de detecção ou não amostral.

 

O risco pertencente ao erro não amostral geralmente pode ser reduzido a níveis menores através do planejamento e supervisão efetiva das responsabilidades de auditoria e da implementação de um projeto de qualidade e de procedimentos apropriados de controle pelos auditores.

 

Quanto ao risco de amostragem, o entendimento de WHITTINGTON & PANY (1998) revela-nos tratar-se da possibilidade de que a conclusão dos auditores baseada na amostra seja diferente da conclusão que alcançariam se aplicassem os testes na população inteira. Para efeito dos testes de controles, o risco de amostragem inclui a hipótese de assumir um risco de controle com características de sub ou super avaliação.

 

Em outras palavras, os auditores podem superavaliar o nível de risco do controle interno, concluindo que o sistema é mais efetivo do que realmente seja, diminuindo sua preocupação nos testes substantivos, o que gera o chamado risco de auditoria. Tal risco, essencialmente, compromete a efetividade da auditoria.

 

Na sub avaliação do nível de risco do controle interno, os auditores atribuem um risco maior do que de fato esse possui. A preocupação nos testes substantivos aumenta, gerando custos e ineficiência na auditoria, que não comprometem, todavia, sua efetividade.

 

   Um exemplo prático elucidará as dúvidas. Ao analisar processos de concessão de diárias em um determinado órgão, os auditores utilizam relatórios do sistema de informações e extraem uma listagem de todas as diárias de determinado período (população). Decidem se aplicam ou não amostragem estatística e elegem o critério de seleção da amostra (atributo, estratificação, sistematização, etc). Aqui nasce o risco de amostragem. Se o controle interno (prestação de contas no prazo, por exemplo) for super avaliado e houver falhas não facilmente detectáveis na amostra, é possível a emissão de parecer de regularidade (risco de auditoria). Todavia, se o controle interno for sub-avaliado, a amostra para testes substantivos tende a ampliar-se, tomando tempo e recursos da equipe de auditores.

 

    Mister se faz entender os conceitos de amostragem estatística e não-estatística, portanto, para auxiliar o auditor na melhoria de sua performance profissional.

 

Amostragem não-estatística ou por julgamento é aquela que ocorre quando os auditores estimam o risco de amostragem usando apenas o julgamento profissional, ou seja, através de seleção de amostras sem critério científico (matemático/probabilístico).

 

Amostragem estatística é aquela que permite aos auditores estimar, antecipadamente, através de técnicas estatísticas - baseando-se nas leis da probabilidade -, o risco de amostragem, computando o tamanho desejado de amostra, tornando mais eficiente e menos custosa a escolha.

 

Entrementes, é bom sempre lembrar que o uso da amostragem estatística não elimina o julgamento profissional. Permite, apenas, que aos auditores mensurem e controlem o risco de amostragem.

 

FONTE: http://www.auditoria.mt.gov.br/arquivos/A_e0935cab94ca14caa9488c16d3b84b95AUDIRE_OUT_2005.doc Acedido a 03.04.2009

 

 

publicado por ojpeao às 15:31

Espaço promovido com o intuito de fornecer alguma informaçao aos interessados em Auditoria e Iniciantes no conhecimento da mesma. Especialmente para os estudantes que me têm como coordenador nesta área de conhecimento. Dúvidas, ojpeao@hotmail.com
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